Policiais da Delegacia de Homicídios vão à casa de porteiro que depôs no caso Marielle

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RIO – Dois policiais civis da
Delegacia de Homicídios (DH)
da Capital foram, no início da tarde desta sexta-feira, à casa do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra que depôs no
caso Marielle
, no bairro da Gardênia Azul, Zona Oeste do Rio. O porteiro prestou depoimento à Polícia Civil há cerca de um mês no âmbito das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Os policiais chegaram por volta das 12h30 à residência do porteiro, em uma viatura descaracterizada. Eles entraram na casa do porteiro e, cerca de dez minutos depois, deixaram o local.

ENTENDA:
O passo a passo da investigação sobre os acessos ao condomínio do acusado de matar Marielle

Um parente do porteiro avisou aos policiais que ele não se encontrava em casa e estava “assustado” com a repercussão envolvendo o nome dele. Na quinta-feira,
policiais da DH e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE)
já haviam apreendido o sistema de mídia da portaria do condomínio Vivendas da Barra.

Policiais civis na casa do porteiro do condomínio Vivendas da Barra Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

O porteiro mora em um sobrado de dois andares e terraço, na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área dominada por milícias. Logo na entrada da casa funciona uma oficina mecânica. Ao chegar no local na manhã desta sexta-feira, O GLOBO encontrou dois funcionários trabalhando no local, um deles que tem parentesco com o porteiro. Ao serem questionados se o porteiro estava em casa, eles fugiram do assunto e disseram que não falariam sobre o assunto.

Fachada da casa do porteiro que prestou depoimento há cerca de um mês no âmbito das investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes Foto: Guilherme Pinto / Agência O Globo

O porteiro afirmou, em depoimento dado à Polícia Civil no início de outubro, que registrou a
casa de número 58
do Condomínio Vivendas, onde morava o
presidente Jair Bolsonaro
, como destino do ex-policial militar
Élcio de Queiroz
, suspeito de matar a vereadora
Marielle Franco
e o motorista
Anderson Gomes
. O porteiro também afirmou, em depoimento, que identificou a voz do “Seu Jair” ao autorizar a entrada de Élcio no dia 14 de março de 2018, horas antes do assassinato de Marielle e Anderson. Naquele dia, o então deputado Jair Bolsonaro estava em Brasília, como mostram os registros de presença na
Câmara dos Deputados
.

O porteiro foi localizado pela
revista “Veja”
, em reportagem publicada nesta sexta-feira. De acordo com a reportagem, o porteiro não quis se pronunciar sobre as investigações. “Eu não estou podendo falar nada. Não posso falar nada”, disse o porteiro à “Veja”.

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Marcada com o número 1, a casa 58 pertence a Jair Bolsonaro, no Vivendas da Barra; o imóvel fica perto da casa 66, marcada com o 2, de Ronnie Lessa. O outro suspeito do crime disse que iria à casa de Bolsonaro Foto: Arquivo O Globo

Registro da portaria do condomínio onde o então deputado Jair Bolsonaro morava à época do crime – antes de ser eleito presidente – aponta a entrada de Élcio Queiroz (foto), ex-PM preso por envolvimento da vereadora Marielle Franco, para a casa 58, de Bolsonaro Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

O PM reformado Ronnie Lessa, à esquerda, e o ex-PM Élcio Queiroz. Os dois foram presos em março deste ano, acusados de participarem da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018 Foto: Agência O Globo

Prisão de Elaine de Figueiredo Lessa (centro), um dos alvos da operação “Submersus”. Elaine é esposa do PM reformado Ronnie Lessa, que é apontado como o assassino da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

O sargento reformado Ronnie Lessa é apontado como o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram presos em março de 2019, na Operação Lume. A motivação do crime, segundo as investigações, seria o avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste, região de atuação de milícias Foto: Reprodução

O bombeiro Maxwell Simões Correa, conhecido como Suel (de boné vermelho) prestou depoimento na Delegacia de Homicídios na Barra da Tijuca. Ele foi um dos alvos da Operação Lume Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Na casa de Suel, os policiais apreenderam uma réplica de fuzil e documentos Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Na Operação Lume, também foi preso Alexandre Motta, solto posteriormente pela Justiça Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

Na casa de Alexandre, foram apreendidos 117 fuzis desmontados. Alexandre declarou que guardava o material a pedido do amigo Ronnie Lessa Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O sargento PM Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, foi preso na Operação Entourage, desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson. Ferreirinha chegou a ser considerado a principal testemunha do inquérito dos assassinatos de Marielle e Anderson. Ele é apontado pela Polícia Federal como o responsável por atrapalhar a investigação Foto: Reprodução / Reprodução

Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, é acusado de comandar milícia que atua em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Foi apontado pelo PM Ferreirinha como um dos mandantes das mortes de Marielle e Anderson Foto: Reprodução / Reprodução

Outro desdobramento da investigação das mortes de Marielle e Anderson desencadeou a Operação Intocáveis, em janeiro deste ano. O major Ronald Paulo Alves Pereira foi um dos cinco presos. Ele é suspeito de chefiar uma milícia que age em grilagem de terras na Zona Oeste do Rio. A polícia considera a prisão do major estratégica para a investigação Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, foragido da Justiça, é suspeito de chefiar o grupo paramilitar Escritório do Crime Foto: Divulgação

Um dos investigados na Operação Intocáveis é Jorge Alberto Moreth, conhecido como Beto Bomba. Foragido desde janeiro, ele se entregou à polícia no dia 25 de maio. Beto Bomba é ex-presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, e apontado como um dos líderes da milícia que atua na região. A polícia investiga o grupo criminoso conhecido como Escritório do Crime, apontado como a mais letal e secreta falange de pistoleiros da cidade Foto: Reprodução

Familiares de Marielle Franco chegam ao Ministério Público para coletiva sobre a prisão dos executores da vereadora e do motorista Anderson Gomes. Na foto, Antonio da Silva Neto, pai de Marielle; Luyara, filha; e Anielle Silva, irmã da vereadora Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Marielle Franco e Anderson Gomes, mortos em março de 2018 Foto: Reprodução

Reportagem do “Jornal Nacional”
revelou, no último dia 29, que um dos porteiros do Condomínio Vivendas da Barra afirmou, em depoimento à polícia, que registrou no livro de visitantes o nome de Queiroz, o modelo do carro, um Logan, a placa, AGH 8202, e a casa a que o visitante iria, a de número 58, que pertence ao presidente Jair Bolsonaro. Queiroz é acusado pela polícia de ser o motorista do carro usado no assassinato da vereadora e do motorista.

CRONOLOGIA:
Relembre os principais fatos da investigação do assassinato de Marielle e Anderson

Na última semana,
o colunista Lauro Jardim revelou
que a polícia já sabia que o porteiro que prestou depoimento e anotou no livro o número 58 (o da casa do presidente Jair Bolsonaro) não era o mesmo que fala com o PM reformado Ronnie Lessa (dono da casa 65) no áudio divulgado por Carlos Bolsonaro e periciado pelo Ministério Público.

Ainda segundo o depoimento revelado pelo JN, o porteiro contou que, depois que Élcio entrou, ele acompanhou a movimentação do carro pelas câmeras de segurança e viu que o carro tinha ido para a casa 66 do condomínio. A casa 66 era onde morava Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle e Anderson. Lessa é apontado pelo Ministério Público do Rio e pela Delegacia de Homicídios como autor dos disparos.

Inquérito na PF

A pedido do
Ministério Público Federal (MPF)
, a
Polícia Federal (PF)
instaurou na quarta-feira um inquérito
para apurar se o porteiro do condomínio cometeu crime ao mencionar o nome do presidente Bolsonaro em dois depoimentos sobre o caso Marielle.

A procuradoria quer que a PF investigue se o profissional cometeu os crimes de obstrução à Justiça, falso testemunho e denunciação caluniosa. Também há um pedido para que seja averiguada a possibilidade de o porteiro ter infringido o artigo 26 da Lei de Segurança Nacional. A legislação prevê de 1 a 4 anos de prisão para quem calunia ou difama autoridades, como o presidente, imputando a elas fatos criminosos ou ofensivos à reputação.

A abertura do inquérito havia sido requisitada na semana passada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Em ofício enviado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, ele solicitou que fossem verficadas as circunstâncias da menção ao nome de Bolsonaro. Aras expediu um ofício no último 30 demandando o MPF.

Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/policiais-da-delegacia-de-homicidios-vao-casa-de-porteiro-que-depos-no-caso-marielle-1-24070050

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