Bolsonaro recebe deputados do PSL após criticar presidente do partido

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O presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta quarta-feira (9) no Palácio do Planalto deputados da bancada do PSL, sua advogada Karina Kufa e o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. O encontro não constava na agenda oficial do presidente, mas foi confirmado pela assessoria do Palácio do Planalto. Bolsonaro recebeu parlamentares e os advogados um dia após sugerir a um apoiador que esquecesse o PSL, partido ao qual é filiado. Na oportunidade, um homem se apresentou como pré-candidato do PSL em Recife e ouviu de Bolsonaro que era para esquecer a legenda. Bolsonaro ainda disse ao apoiador que o presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PE), estava “queimado”. Diante do episódio registrado nesta terça-feira (8), surgiram rumores de uma possível saída de Bolsonaro do PSL, partido ao qual se filiou em 2018 para disputar a eleição. Presidente Bolsonaro aconselha um apoiador a “esquecer o PSL” A reunião de Bolsonaro com parte da bancada do PSL e com os advogados ocorreu na tarde desta. Kufa defende o presidente em processos e Admar tem se reunido com Bolsonaro, nos bastidores o ex-ministro é tratado como uma espécie de conselheiro jurídico. Após o encontro desta quarta, o deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) conversou rapidamente com jornalistas, mas evitou entrar em detalhes sobre o que foi discutido com Bolsonaro. O deputado federal Bibo Nunes (PSL-RS) em entrevista a jornalistas — Foto: Guilherme Mazui/ G1 Política Segundo Bibo, os deputados presentes fizeram um “pacto” de não comentar o que foi acertado no encontro, que será divulgado posteriormente. O parlamentar reiterou o apoio ao presidente da República. “Temos problemas que serão bem solucionados, bem solucionados. O Brasil vai ganhar com essa solução. Eu defendo o melhor para o Brasil. Seguir na linha Bolsonaro, que é o melhor para o Brasil. Participou [da reunião] um grupo bom de deputados que querem o melhor do Brasil”, disse. Nesta quarta, o presidente do PSL foi questionado à colunista do G1 e da Globo News Andréia Sadi sobre se Jair Bolsonaro deixará o partido e se já houve uma conversa sobre o assunto. “A fala dele foi terminal, ele já está afastado. Não disse para esquecer o partido? Está esquecido”, respondeu Luciano Bivar. A advogada Karina Kufa e o ex-ministro do TSE Admar Gonzaga em entrevista a jornalistas — Foto: Guilherme Mazui/ G1 Política Karina Kufa e Admar Gonzaga também concederam entrevista depois da reunião. Segundo Gonzaga, os deputados pediram a reunião com Bolsonaro. Questionado sobre se Bolsonaro deu algum indício de que deixará o PSL, o ex-ministro do TSE disse que o presidente está “desconfortável” com a situação com o partido e que “questões serão avaliadas. A advogada Karina Kufa afirmou que a situação no PSL ficou “insustentável” em razão do que considera falta de transparência na legenda. Na opinião dela, o PSL deixou de ser um partido “transparente”. “Foi muito difícil entrar em um acordo quando um partido não está disposto a abrir simplesmente uma votação democrática, seja para alteração de estatuto, seja para eleição dos dirigentes. Então, ficou insustentável em razão desses motivos que acontecem em alguns partidos, mas que não dá para o presidente levar um encargo tão grande de um partido que acaba não permitindo que haja essa pluralidade”, afirmou a advogada de Bolsonaro. “A gente tem diversos deputados que não têm informação nenhuma, não têm acesso às contas. E é isso que foi pleiteado. Se tem um partido, o partido é de todos, e os deputados têm que ter acesso. Não se pode ter votações sem qualquer participação dos próprios parlamentares”, complementou Kufa. Questionada se a falta de transparência pode levar a uma saída do partido, Kufa avaliou que existe a possibilidade, mas frisou que a pergunta deveria ser feita ao próprio Bolsonaro. Gonzaga reforçou o desconforto de Bolsonaro e dos deputados com a falta de transparência do partido. Ele admitiu a possibilidade da saída dos parlamentares da sigla, sem a filiação imediata a outro partido. “A única coisa que ele [Bolsonaro] tem, em mente, é a transparência do ambiente onde ele está convivendo. Então, como isso não foi permitido no ambiente que ele se encontra, ele, como tem a bandeira da nova política, da transparência com o dinheiro público, ele não está confortável no ambiente em que se encontra”, explicou Ex-ministro do TSE, Gonzaga disse que um deputado pode trocar de partido, fora do período de janela de transferência partidária, sem perder o mandato, caso haja “justa causa” para a saída. “Segundo a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, com justa causa é possível a saída do partido sem perda de mandato. Justa causa é quando há descumprimento do manifesto do partido reiterado, questões de ordem pessoais, algum tipo de perseguição, como retirar deputados de comissões, ameaças de expulsão, esse tipo de ambiente gera justa causa”, explicou. Segundo o jurista, a falta de transparência do partido seria uma justa causa para saída dos deputados do PSL sem o risco de perda dos mandatos. A tese teria de ser referendada na Justiça Eleitoral. “A justa causa você tem quando você não tem transparência com os recursos do fundo partidário, que é recurso público, que é entregue ao partido em face dos votos dedicados aos parlamentares pelos eleitores do Brasil”, afirmou Gonzaga.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/10/09/bolsonaro-recebe-deputados-do-psl-apos-criticar-presidente-do-partido.ghtml

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