Aparentemente houve erro operacional grave da PM na morte de 9 pessoas em baile funk de Paraisópolis, diz Moro

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O ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) disse nesta quarta-feira (4) que, “aparentemente”, um “erro operacional grave” da Polícia Militar de São Paulo resultou na morte de nove pessoas em Paraisópolis, comunidade na Zona Sul paulistana. As pessoas morreram pisoteadas durante um baile funk na madrugada de sábado (30) para domingo (1). “Neste caso em São Paulo, com todo respeito à polícia lá da PM do Estado de São Paulo, que realmente é uma polícia de qualidade –ela é elogiada no país inteiro–, aparentemente houve lá um excesso, um erro operacional grave que resultou na morte de algumas pessoas”, disse o ministro em Brasília. Mortes em Paraisópolis: o que se sabe sobre o casoSaiba quem são as vítimas A Corregedoria das Polícias apura a conduta dos policiais militares envolvidos na ocorrência. Uma das intenções é descobrir por que os policiais que fizeram dispersão do baile fecharam todos os acessos principais, deixando os frequentadores sem rotas de fuga. De acordo com a Polícia Militar, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas. No entanto, a mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local e que foi agredida com uma garrafa disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile. A jovem ferida durante a confusão descreveu o momento em que foi atingida. “Eu não sei o que aconteceu, só vi correria, e várias viaturas fecharam a gente. Minha amiga caiu, e eu abaixei pra ajudá-la”, afirmou. “Quando me levantei, um policial me deu uma garrafada na cabeça. Os policiais falaram que era para colocar a mão na cabeça.” Imagens acima mostram versões da PM e dos moradores para as mortes em Paraisópolis — Foto: Arte: Juliane Souza e Guilherme Gomes/G1 Jovem de 17 anos afirma ter sido agredida com uma garrafa por um PM em Paraisópolis, SP Segundo a polícia, equipes da Força Tática, ao chegarem para apoiar a ação em Paraisópolis, levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, teriam respondido com munições químicas para dispersão. Ainda de acordo com informações da polícia, alguém no meio da multidão disparou um tiro, e houve correria. Durante a confusão, pessoas foram pisoteadas. Elas foram levadas em estado grave ao Pronto Socorro do Campo Limpo. Duas viaturas da PM foram depredadas. O delegado Emiliano da Silva Neto, do 89º DP, afirmou que todas as vítimas morreram pisoteadas e que ninguém foi vítima de disparos (leia mais abaixo). A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, afirmou em entrevista à Globo News que a polícia tem de prestar contas do que ocorreu “sem medo de assumir um erro caso tenha havido”. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Operação Pancadão tem sido periodicamente realizada em toda a capital “para garantir o direito de ir e vir do cidadão e impedir a perturbação do sossego, fiscalizando a emissão ruídos proveniente de veículos”. 2ª maior favela de São Paulo e 5ª maior do Brasil10 quilômetros quadrados de área100 mil habitantes21 mil domicílios12 mil moradores analfabetos ou semianalfabetos31% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, portanto mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades42% das famílias têm mulheres como responsáveisRenda média de 87% dos chefes de família é de até 3 salários mínimos21% da população que tem emprego atua no comércio localAproximadamente 10 mil comércios locaisGrande crescimento nos últimos anosGrandes empresas ingressando no mercado local12 escolas públicas (estaduais e municipais), uma Escola Técnica Estadual (Etec), um Centro Educacional Unificado (CEU), três unidades básicas de saúde (UBS) e uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Em novembro, uma jovem perdeu a visão de um dos olhos ao ser atingida por uma bala de borracha da polícia na dispersão de um baile funk na Zona Leste de São Paulo.

Governador pediu apuração ‘rigorosa’

O governador João Doria pediu “apuração rigorosa” do episódio. “Lamento profundamente as mortes ocorridas no baile funk em Paraisópolis nesta noite. Determinei ao Secretário de Segurança Pública, General Campos, apuração rigorosa dos fatos para esclarecer quais foram as circunstâncias e responsabilidades deste triste episódio”, escreveu Doria, no Twitter. Os bailes funks em comunidades de São Paulo ocorrem de quinta-feira a domingo, até a madrugada, nas zonas Leste, Sul e Norte da capital paulista. Reportagem do Bom Dia SP mostrou como a polícia atua quando é chamada para atender ocorrências nos pancadões (assista abaixo). Pancadões incomodam moradores da capital de SP

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/12/04/aparentemente-houve-erro-operacional-grave-da-pm-na-morte-de-9-pessoas-em-baile-funk-de-paraisopolis-diz-moro.ghtml

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